“Deus tem uma enorme fantasia na maneira como chama” | Segunda parte

13 de August, 2026

A gruta de Lourdes
Diante da gruta de Lourdes, Frei Paolo Maria Braghini sentiu o seu chamado pessoal.
Continua o testemunho de frei Paolo Maria Braghini, Frade Menor Capuchinho, no “Go! Franciscan Youth Meet 2026”, evento promovido pelos Frades Menores, pelos Frades Menores Conventuais e pelos Frades Menores Capuchinhos, realizado em Assis de 3 a 6 de agosto.
Nós de spazio + spadoni estamos apresentando este relato em vários episódios, para acompanhar você na leitura e na escuta de uma história que nos mostra, mais uma vez, a criatividade e a misericórdia de Deus.

De Lourdes a Assis

Com a minha namorada daquela época, vivi momentos verdadeiramente belos, maravilhosos, e por isso só posso agradecer ao Senhor. Com ela, o amor entre nós crescia cada vez mais e sentíamos que queríamos nos casar.

Pensávamos em nos casar no dia 14 de setembro do primeiro ano de faculdade, porque as nossas condições financeiras também permitiam. Meu irmão formou sua família aos 18 anos e era uma referência para mim. Assim, após o ensino médio, os pais dela nos convidaram para ir a Lourdes justamente para pedir a bênção para o nosso futuro matrimônio.

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Perguntei aos jovens: «Quem já foi a Lourdes?», e muitos levantaram a mão. Fiquei muito feliz com isso.

Cinco dias fantásticos, vendo e ouvindo os enfermos e os voluntários ali presentes; e depois, os momentos inesquecíveis com Nossa Senhora… Porém, na última noite antes de voltar para a Itália, não consegui dormir.

Eu me revirava de um lado para o outro, estava inquieto e não entendia o motivo, até que, às três da manhã, senti que precisava voltar sozinho para a frente da gruta.

Contei isso com imensa alegria diante da Basílica, onde Nossa Senhora, olhando do alto, acolhia todos aqueles jovens.

A viagem a Lourdes e o chamado na noite

Voltando àquela noite diante da gruta de Lourdes, ouvi com clareza no coração a voz que dizia: «Deixa tudo e segue-me».

Era o chamado que o Senhor me fazia há anos e que me fazia sentir de diversas formas.

Naquele momento, aos 18 anos, desabei a chorar como uma criança. E enquanto chorava, dizia: «E a Michela? E a Michela?». Eu estava dizendo sim, mas sentia que precisava deixar o grande amor da minha vida, que era aquela moça. Mas eu cedi. Eu cedi.

Nos dias seguintes, compartilhei isso com a Michela; tentamos continuar juntos por algum tempo, até que decidimos… Na verdade, não decidimos. Simplesmente compreendemos que o Senhor nos chamava para caminhos diferentes e terminamos.

A escolha de seguir o Senhor e o encontro em Assis

Tive um momento de revolta contra Deus, de distanciamento, e depois, graças à sugestão da professora do colégio, passei alguns dias na montanha — eu era apaixonado por montanhas e motocicletas — e ali ocorreu a grande virada: comecei a orar e a me entregar ao Senhor.

A partir desse momento, comecei a me deixar conduzir pelo Senhor de forma misteriosa. Em uma viagem à Grécia surgiu a inspiração de ir para Assis, e cheguei a Assis com dezoito anos, assim como muitos de vocês, logo após concluir o ensino médio, para um encontro de jovens.

Naquela época não havia celular nem internet; por isso, cheguei verdadeiramente conduzido pela Providência a um encontro de jovens de toda a Itália.

Havia uma imagem de São Francisco com a frase: «Senhor, o que queres que eu faça?», as palavras de Jesus.

E o primeiro frade que se apresentou disse: «Eu sou frei Gino, missionário na Amazônia há 40 anos!». Eu nunca tinha visto um frade; uma alegria imensa inundou o meu coração.

FIM DA SEGUNDA PARTE

Foto de Nick Castelli

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