Obras de Misericórdia

As Obras de Misericórdia são exemplos de concretização do mandamento do amor fraterno: «Amarás o teu próximo como a ti mesmo» (Mt 22,39), explicitado em vários ensinamentos do Evangelho (Mt 25,31-46). Trata-se de 14 ações – 7 corporais e 7 espirituais – através das quais os fiéis cuidam do próximo nas suas necessidades físicas e imateriais.

As Obras de Misericórdia não devem ser entendidas como meros preceitos dogmáticos, mas como um verdadeiro guia prático, que mostra como traduzir em atos a palavra de Jesus, praticando o amor, a escuta e a justiça social na vida quotidiana.

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Obras de Misericórdia Corporais e Obras de Misericórdia Espirituais

Na tradição cristã, as 14 Obras de Misericórdia dividem-se em duas categorias de 7:

  • Obras de Misericórdia Corporais: dirigidas às necessidades físicas e básicas da pessoa.
  • Obras de Misericórdia Espirituais: referem-se às necessidades da interioridade da pessoa, convidando a oferecer apoio e orientação moral.

As 7 Obras de Misericórdia Corporais

As Obras de Misericórdia Corporais indicam a quem as pratica o caminho para cuidar concretamente do próximo, protegendo a sua dignidade física e as suas necessidades básicas, como a alimentação, o acolhimento e os cuidados. Estes atos convidam o fiel a reconhecer o valor sagrado do corpo humano, com especial atenção aos mais necessitados, como os doentes, os famintos e os marginalizados.

As 7 Obras de Misericórdia Corporais são:

  • Dar de comer aos famintos
  • Dar de beber aos sedentos
  • Vestir os nus
  • Acolher os peregrinos
  • Visitar os enfermos
  • Visitar os presos
  • Sepultar os mortos
Obra corporal

Dar de comer aos famintos

Dar de comer aos famintos significa reconhecer que a alimentação é um direito fundamental de cada pessoa, num ato que responde a uma necessidade básica ligada à sobrevivência.

Esta obra de misericórdia pede que se veja na fome do próximo uma carência que diz respeito a toda a comunidade, e não apenas ao indivíduo. Nesta perspetiva, alimentar quem precisa não representa apenas a satisfação de uma necessidade fisiológica, mas um ato de dignidade e cuidado que, através da partilha, permite construir uma sociedade mais justa, feita de amor e respeito pela vida.

Exemplos do Evangelho: a multiplicação dos pães e dos peixes (Mt 14,13-21)

Após a morte de João Batista, Jesus retira-se para um lugar deserto e isolado. Ali chega a pé uma multidão vinda das cidades para o ouvir. Aproxima-se o entardecer e os discípulos vão ter com o seu Mestre para lhe sugerir que despeça as pessoas que acorreram à sua presença, para que possam ir às aldeias próximas comprar comida.

Jesus, porém, pede aos seus discípulos que sejam eles a alimentar a multidão. Os discípulos reagem com apreensão: dispõem apenas de cinco pães e dois peixes, uma quantidade de comida insuficiente para saciar todos os presentes.

Jesus convida as pessoas a sentarem-se na relva e, diante delas, levanta os olhos ao céu, pronuncia a bênção, toma o pão, parte-o e entrega-o aos discípulos para que o distribuam por todos. A comida chega para alimentar toda a gente e ainda sobram doze cestos cheios.

Assim, o Filho de Deus realiza um milagre concreto que permite satisfazer uma necessidade corporal. Para enfrentar a fome, a resposta mais autêntica consiste na vontade de partilhar: é assim que a escassez se torna abundância.

N. Savarino, “Testemunhas da misericórdia”

Ser testemunhas da misericórdia – CAPINAR

A rubrica «Testimoni di misericordia» com o livro (folheável) de Nino Savarino. Esta segunda-feira, o verbo «cavar» e a Obra «dar de comer a quem tem fome». Um capítulo de cada vez do livro de Nino Savarino, Governador da Misericordia di Rosolini, amigo de spazio + spadoni e colaborador de diversos projetos e do blogue.…

Primeira obra corporal – E hoje? O que podemos fazer?

“As obras do coração” – A primeira obra de misericórdia corporal

Uma breve meditação de dom Paolo Giulietti, arcebispo de Lucca, sobre a primeira obra de misericórdia corporal, para vivê-la concretamente no dia a dia. «As obras do coração» é um opúsculo escrito por dom Paolo Giulietti por ocasião do Jubileu extraordinário da misericórdia convocado em 2015, quando ainda era bispo auxiliar de Perugia e Città…

Obra corporal

Dar de beber aos sedentos

Dar de beber aos sedentos significa preservar um dos bens mais preciosos da humanidade e torná-lo acessível a todos. A água não responde apenas à necessidade mais imediata do corpo humano, mas torna-se símbolo de vida e regeneração. A sede do próximo não é apenas material, mas também íntima e espiritual: é a sede de quem não encontra sentido para a sua existência, de quem procura no outro o conforto que perdeu.

O Papa Francisco dedicou uma grande parte da sua encíclica «Laudato si’», em 2015, àquilo a que chama «A questão da água». A este propósito escreve: «O acesso à água potável e segura é um direito essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e, por isso, é condição para o exercício dos outros direitos humanos» (n.º 30).

Exemplos do Evangelho: Jesus recebe de beber na Cruz (Jo 19,28)

Jesus agoniza na Cruz. Já exausto pelo suplício, desidratado e em sofrimento, pronuncia as palavras: «Tenho sede».

Nesta simples frase, o Filho de Deus manifesta a sua natureza humana. Um dos presentes, ao ouvir o pedido, embebe uma esponja numa bebida ácida, utilizada pelos soldados para matar a sede, coloca-a na ponta de um ramo de hissopo e aproxima-a dos seus lábios.

Aqui, Jesus não é quem realiza o ato de misericórdia, mas quem o recebe: na sinceridade desse gesto, redescobre a compaixão humana, um vislumbre de luz num cenário tão dramático e brutal. Nesse momento, Jesus pronuncia as suas últimas palavras antes de entregar o espírito: «Tudo está consumado».

N. Savarino, “Testemunhas da misericórdia”

Ser testemunhas da misericórdia – OFERECER

Um capítulo de cada vez do livro de Nino Savarino, Governador da Misericordia de Rosolini, amigo de spazio + spadoni e colaborador de vários projetos e do blog. Do Salmo 63 (62): Ó Deus, tu és o meu Deus, de madrugada te buscarei; a minha alma tem sede de ti Oferecer, momento de encontro e…

Segunda obra corporal – E hoje? O que podemos fazer?

“As obras do coração” – A segunda obra de misericórdia corporal

Uma breve meditação de Dom Paolo Giulietti, Arcebispo de Lucca, sobre a segunda Opera de misericórdia corporal, para vivê-la concretamente no dia a dia. «As obras do coração» é um opúsculo escrito por Dom Paolo Giulietti por ocasião do Jubileu extraordinário da misericórdia proclamado em 2015, quando ainda era bispo auxiliar de Perugia e Città…

Obra corporal

Vestir os nus

Vestir os nus significa restituir proteção, dignidade e pertença. Uma peça de roupa pode cobrir o corpo, mas também ajudar uma pessoa a sentir-se novamente acolhida e reconhecida. Esta obra convida a devolver valor a quem dele foi privado, a quem foi despojado de tudo. É um ato que enfrenta a marginalização, a doença e a discriminação através do cuidado, da proteção dos mais frágeis e do acolhimento das vulnerabilidades humanas.

Exemplos do Evangelho: o pai veste o Filho Pródigo arrependido (Lc 15,11-32)

Um jovem pede ao pai a sua parte da herança, abandona a casa da família e vai viver para longe, dissipando as suas riquezas numa vida de excessos. Uma fome assola o país onde vive e reduz o jovem à pobreza absoluta: acaba a guardar porcos, vestido de trapos e privado da sua posição.

Arrependido, o jovem decide regressar ao pai, esperando ser novamente acolhido como trabalhador. O pai vê-o chegar, corre ao seu encontro, abraça-o e beija-o. O filho começa a expressar a sua contrição, mas o pai interrompe-o de imediato, dirige-se aos servos e ordena: «Depressa, trazei a melhor túnica e vesti-lha, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés».

Com esse gesto de profunda humanidade e compaixão, o pai não se limita a vestir o filho, mas restitui-lhe a dignidade perdida, acolhendo-o de novo na família e concedendo-lhe o perdão completo.

“Testemunhas de misericórdia” - Partir

Ser testemunhas da misericórdia – PARTIR

Um capítulo de cada vez do livro de Nino Savarino, Governador da Misericordia di Rosolini, amigo de spazio + spadoni e colaborador de vários projetos e do blog. Do Salmo 121 (120) cântico das subidas Levanto os meus olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que…

Terceira obra – E hoje? O que podemos fazer?

“As obras do coração” – A terceira obra de misericórdia corporal

Uma breve meditação de Dom Paolo Giulietti, Arcebispo de Lucca, sobre a terceira obra de misericórdia corporal, para vivê-la concretamente no dia a dia. «As obras do coração» é um opúsculo escrito por Dom Paolo Giulietti por ocasião do Jubileu extraordinário da misericórdia proclamado em 2015, quando ele ainda era bispo auxiliar de Perúgia e…

Obra corporal

Acolher os peregrinos

Acolher os peregrinos significa abrir espaços de encontro e superar o medo do outro. Cada pessoa que chega traz consigo sofrimentos, sonhos e riquezas para partilhar. Um estrangeiro longe de casa não procura apenas um abrigo, mas deseja sentir-se acolhido, respeitado na sua identidade e reconhecido na sua humanidade.

Acolher os estrangeiros é, por isso, um convite à abertura profunda a histórias, culturas e costumes diferentes. Significa repensar todas as nossas políticas migratórias, sabendo que «o Senhor… ama o estrangeiro» (Dt 10,18). E Deus pede-nos que amemos os estrangeiros como ele: «Amai, pois, o estrangeiro!» (Dt 10,19).

Todos somos estrangeiros: «Não maltratarás o estrangeiro nem o oprimirás, porque fostes estrangeiros na terra do Egito» (Ex 22,20). E todos somos hóspedes de Deus: «porque a terra é minha e vós sois junto de mim como estrangeiros e residentes» (Lv 25,23).

Quem recebeu misericórdia sabe que a grande novidade é que o próprio Jesus se identifica com qualquer pessoa que precise de ser acolhida: «Quem vos acolhe, acolhe-me a mim, e quem me acolhe, acolhe aquele que me enviou» (Mt 10,40). «Era estrangeiro e acolhestes-me» (Mt 25,35).

Exemplos do Evangelho: dois discípulos acolhem um estrangeiro no caminho de Emaús (Lc 24,13-34)

É o dia da ressurreição de Jesus: dois discípulos caminham em direção à aldeia de Emaús, perto de Jerusalém, tristes e abatidos pela morte do seu Mestre. Durante o caminho, um desconhecido junta-se a eles e começa a conversar sobre o sentido das Sagradas Escrituras.

Ao chegarem ao destino, o estrangeiro despede-se, dando a entender que pretende seguir sozinho, mas os dois discípulos detêm-no e convidam-no a ficar com eles. O viajante aceita.

Durante a ceia, o hóspede toma o pão, pronuncia a bênção e parte-o, entregando-o aos dois discípulos. Nesse gesto tão familiar, os dois reconhecem no estrangeiro Jesus ressuscitado.

O episódio adquire assim um significado profundamente simbólico: ao acolherem um desconhecido, os dois discípulos, sem o saberem, deixaram Deus entrar na sua casa.

“Testemunhas de misericórdia” - Acolher

Ser testemunhas da misericórdia – ACOLHER

Um capítulo de cada vez do livro de Nino Savarino, Provedor da Misericórdia de Rosolini, amigo de spazio + spadoni e colaborador de diversos projetos e do blog. Do Salmo 15 (14) Senhor, quem habitará na tua tenda? Quem residirá no teu santo monte? Aquele que caminha com integridade, pratica a justiça e fala com…

Acolher os estrangeiros E hoje? O que podemos fazer?

“As obras do coração” – A quarta obra de misericórdia corporal

Uma breve meditação de Dom Paolo Giulietti, Arcebispo de Lucca, sobre a quarta Obra de misericórdia corporal, para vivê-la concretamente no dia a dia. «As obras do coração» é um opúsculo escrito por Dom Paolo Giulietti por ocasião do Jubileu extraordinário da misericórdia convocado em 2015, quando ainda exercia o ministério de bispo auxiliar de…

Obra corporal

Visitar os enfermos

Visitar os enfermos significa afirmar que nenhuma doença pode apagar o valor de uma pessoa. A escuta e a proximidade tornam-se remédio para a alma. A doença não enfraquece apenas o corpo, mas gera isolamento e medo. Esta obra recorda-nos que a solidão do sofrimento deve ser enfrentada através da presença constante, da partilha e do cuidado. Perante a fragilidade do corpo, o conforto permite preservar a dignidade do próximo e restituir-lhe o seu inestimável valor humano.

Exemplos do Evangelho: a cura do paralítico de Cafarnaum (Mc 2,1-12)

Jesus encontra-se em Cafarnaum, uma aldeia de pescadores da Galileia. Quando a notícia da sua presença se espalha, todos os habitantes acorrem à casa que o acolhe, tornando impossível até chegar à porta.

Entre os presentes está também um homem paralisado, que chegou graças à ajuda de quatro pessoas misericordiosas que o transportaram no seu leito. A multidão, porém, impede os quatro homens de conduzirem o doente à presença de Jesus. Não desistem, sobem ao telhado da casa e, aproveitando uma abertura, conseguem fazer descer o doente de cima.

Jesus fica profundamente comovido com a vontade e o empenho dos quatro homens e recompensa-os, concedendo-lhes o perdão de todos os pecados cometidos. Depois dirige-se ao doente, perdoa também os seus pecados e cura-o: o homem levanta-se pelos seus próprios meios e regressa a casa, curado no corpo e no espírito.

O milagre de Jesus acontece apenas no final do episódio: antes, o ato de cuidado mais profundo e desinteressado é o dos quatro homens, que escolhem não abandonar o infeliz, mas conduzi-lo pelo caminho da cura.

Obra corporal

Visitar os presos

Visitar os presos é um ato de profunda humanidade, próprio de quem reconhece que cada pessoa é maior do que os seus erros e conserva a sua dignidade mesmo quando privada de liberdade. A reclusão gera isolamento e preconceito social: esta obra de misericórdia pede que se ofereçam escuta e esperança a quem errou, afirmando que toda a vida merece uma oportunidade de redenção e recordando que a verdadeira justiça não se esgota na punição, mas se cumpre na reeducação.

Cada um deve interrogar-se sobre como obedecer ao mandamento da Palavra de Deus: «Partilhastes os sofrimentos dos presos e aceitastes com alegria ser despojados dos vossos bens, sabendo que possuíeis bens melhores e mais duradouros» (Heb 10,34); «Lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles, e daqueles que sofrem, pois também vós tendes um corpo mortal» (Heb 13,3).

Disse o Papa Francisco: «Não nos esqueçamos de que também Jesus e os apóstolos experimentaram a prisão. Nos relatos da Paixão conhecemos os sofrimentos a que o Senhor foi submetido: capturado, arrastado como um malfeitor, escarnecido, flagelado, coroado de espinhos… Ele, o único Inocente! Também São Pedro e São Paulo estiveram na prisão (cf. At 12,5; Fl 1,12-17)… É comovente a passagem dos Atos dos Apóstolos que narra a prisão de Paulo: sentia-se só e desejava que alguns amigos o visitassem (cf. 2 Tm 4,9-15). Sentia-se só porque a grande maioria o tinha deixado só… o grande Paulo».

Exemplos do Evangelho: Jesus fala do fim dos tempos

«Estive na prisão e fostes visitar-me» (Mt 25,31-46)

Jesus pronuncia estas palavras ao descrever o momento do Juízo Final. Uma afirmação que provoca confusão entre os seus discípulos, que se perguntam quando terá o seu Mestre estado preso.

«Em verdade vos digo: tudo o que fizestes a um só destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizestes», explica Jesus. Uma revelação dirigida a qualquer pessoa privada de liberdade, sem distinguir culpados de inocentes. Estas palavras recordam-nos que visitar os presos não significa aprovar as suas escolhas, mas reconhecer Deus também na fragilidade e no erro.

“Testemunhas da misericórdia” - Encontrar

Ser testemunhas da misericórdia – ENCONTRAR

Um capítulo de cada vez do livro de Nino Savarino, Governador da Misericordia di Rosolini, amigo de spazio + spadoni e colaborador de vários projetos e do blog. Do Salmo 133 (132) Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união! Ali o Senhor concede a bênção e a vida para…

Sexta obra corporal – E hoje? O que podemos fazer?

“As obras do coração” – A sexta obra de misericórdia corporal

Uma breve meditação de dom Paolo Giulietti, arcebispo de Lucca, sobre a sexta Obra de misericórdia corporal, para vivê-la concretamente na vida de cada dia. «As obras do coração» é um opúsculo escrito por dom Paolo Giulietti por ocasião do Jubileu extraordinário da misericórdia proclamado em 2015, quando ainda era bispo auxiliar de Perugia e…

Obra corporal

Sepultar os mortos

Sepultar os mortos significa preservar o valor único de cada vida até ao último instante. É um gesto de respeito, memória e esperança através do qual a comunidade afirma que ninguém deve ser esquecido. Sepultar os mortos também significa acompanhar o sofrimento de quem fica e recordar que a morte não apaga o valor de quem viveu: o cuidado do próximo continua para além da sua existência terrena e transforma-se em memória, oração e esperança de eternidade.

É necessário intensificar em cada comunidade a «pastoral do luto». O funeral não deve ser um momento de celebração da vida do falecido, mas de proclamação solene do Mistério Pascal de Jesus que, com a sua Ressurreição, nos faz ressuscitar com ele.

A Igreja não afirma a imortalidade da alma, mas proclama no seu «Credo»: «Creio na ressurreição da carne e na vida eterna» (Símbolo dos Apóstolos); «Espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir» (Símbolo niceno-constantinopolitano).

Paulo anuncia a ressurreição não como exigida por uma suposta imortalidade da alma, mas pelo amor de Deus ao ser humano: «O corpo é para o Senhor, e o Senhor é para o corpo» (1 Cor 6,13). É uma ideia que nos faz estremecer: o próprio Deus ama e santifica o nosso corpo, chamado à imortalidade, membro do próprio corpo de Cristo, «templo do Espírito Santo» (1 Cor 6,13-19).

Exemplos do Evangelho: a digna sepultura de Jesus Cristo (Mt 27,57-60)

Após a morte de Jesus, José de Arimateia, membro respeitado do Sinédrio que se tornara secretamente seu discípulo, apresenta-se com coragem diante de Pôncio Pilatos e pede o corpo sem vida do seu Mestre. O prefeito da Judeia concorda.

O homem, juntamente com Nicodemos, dirige-se ao Gólgota para lhe dar uma sepultura digna: o corpo de Jesus é envolvido em panos de linho e perfumado com uma mistura de mirra e aloés, segundo o costume funerário da época.

Perto encontra-se um sepulcro novo escavado na rocha, ainda não utilizado. É aí que José e Nicodemos depositam Jesus, fechando a entrada com uma grande pedra. Mesmo perante a morte, os dois discípulos demonstram uma profunda veneração e um respeito infinito pelo seu Mestre.

«Testemunhas da Misericórdia» – Sepultar os mortos

Ser testemunhas da misericórdia – FAZER UMA PAUSA

Diante da cruz de Cristo: a obra de misericórdia de sepultar os mortos Agora, antes de continuar o nosso caminho, façamos uma pausa diante da cruz. Frente a frente com Jesus: nós e Ele / eu e Ele. “Diante de Jesus não há segredos: Ele lê no coração, no coração de cada um de nós”.…

Sétima obra corporal – E hoje? O que podemos fazer?

“As obras do coração” – A sétima obra de misericórdia corporal

Uma breve meditação de Dom Paolo Giulietti, arcebispo de Lucca, sobre a sétima obra de misericórdia corporal, para vivê-la concretamente no dia a dia. «As obras do coração» é um opúsculo escrito por Dom Paolo Giulietti por ocasião do Jubileu extraordinário da misericórdia convocado em 2015, quando ainda era bispo auxiliar de Perugia e Città…

As 7 Obras de Misericórdia Espirituais

As Obras de Misericórdia Espirituais são atos de compaixão dirigidos ao bem-estar da alma, que abrangem as dimensões emocional, psicológica e relacional. São atos que convidam o fiel a sentir empatia pelos outros seres humanos, oferecendo apoio moral e espiritual através da compreensão, da escuta, do conselho e do perdão.

As 7 Obras de Misericórdia Espirituais são:

  • Aconselhar os duvidosos
  • Ensinar os ignorantes
  • Admoestar os pecadores
  • Consolar os aflitos
  • Perdoar as ofensas
  • Suportar pacientemente as pessoas molestas
  • Rezar a Deus pelos vivos e pelos mortos
Obra espiritual

Aconselhar os duvidosos

Todas as pessoas enfrentam, ao longo da vida, momentos de incerteza. Aconselhar os duvidosos significa, antes de mais, escutar quem precisa, oferecendo compreensão e proximidade. Só assim é possível dar conselhos que verdadeiramente ajudem o próximo, apoiando-o na procura de clareza, com respeito e discrição, sem anular o seu ponto de vista para impor o nosso.

Exemplos do Evangelho: o ceticismo do discípulo Tomé (Jo 20,25-29)

Tomé, um dos doze apóstolos, era um homem pragmático e apaixonado. Quando Jesus ressuscita e se mostra aos seus discípulos, Tomé não está presente. Escolhe não acreditar no relato dos discípulos e pronuncia a célebre frase: «Se não vir nas suas mãos a marca dos cravos, se não puser o meu dedo na marca dos cravos e a minha mão no seu lado, não acreditarei».

Jesus aparece a Tomé oito dias depois. O Filho de Deus não se mostra de imediato ao seu discípulo cético, mas dá-lhe tempo para lidar com as suas inquietações. Quando decide mostrar-se, Jesus não o julga nem o repreende pelas suas dúvidas, mas acolhe-o. Além disso, não exige uma fé cega, mas compreende o seu ceticismo, permitindo-lhe tocar nas chagas do seu martírio.

“Testemunhas da misericórdia” -Discernir

Ser testemunhas da misericórdia: discernir

Primeira obra espiritual – E hoje? O que podemos fazer?

“As obras do coração” – A primeira obra de misericórdia espiritual

Obra espiritual

Ensinar os ignorantes

Os ensinamentos de Jesus mostram que ensinar os ignorantes não significa estabelecer uma relação de superioridade, em que quem sabe instrui de cima quem não sabe. Pelo contrário, a transmissão do conhecimento é um gesto de profunda partilha.

Ensinar os ignorantes significa oferecer a cada pessoa os instrumentos para se emancipar, compreender o mundo e elevar a sua mente. Não se trata de acumular conhecimentos, mas de gerar consciência, descobrindo e valorizando os talentos de cada pessoa para que ninguém fique excluído da possibilidade de crescer.

Jesus exorta-nos: «Ide, pois, e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo o que vos mandei» (Mt 28,18-20).

Quem recebeu misericórdia descobre talentos, capacidades e responsabilidades que talvez nunca tivesse reconhecido, tornando-se, por sua vez, portador de luz para outros: «Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio» (Jo 20,21). «Sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra» (At 1,8).

Exemplos do Evangelho: a mulher samaritana junto ao poço de Sicar (Jo 4,1-39)

Jesus, cansado de uma longa viagem da Judeia à Galileia, para para descansar junto ao poço de Jacob, em Sicar, na Samaria. É meio-dia, a hora de maior calor, quando chega uma mulher com um cântaro na mão. Escolheu a hora mais quente para ir ao poço e evitar os olhares de reprovação: é uma pessoa frágil, que teve cinco maridos e vive com um homem com quem não está casada. Além disso, é samaritana, um povo considerado herético pelos judeus.

Jesus, ultrapassando todas as convenções e tabus, dirige-lhe a palavra e pede-lhe água. A mulher fica surpreendida com o pedido e interroga-se sobre por que razão um homem judeu escolhe falar com uma samaritana. Jesus explica-lhe que, se soubesse com quem está a falar, seria ela a pedir àquele homem «água viva», para saciar a sua sede para sempre.

Inicia-se assim um diálogo intenso: a mulher centra a conversa em questões práticas, salientando que Jesus nem sequer tem um balde para tirar água. Depois pergunta-lhe qual é o lugar adequado para rezar.

Jesus surpreende-a: explica-lhe que está a chegar o tempo em que as pessoas deixarão de estar separadas por questões étnicas e de lugar, mas «adorarão o Pai em espírito e verdade». Depois mostra que a conhece profundamente, falando dos seus cinco maridos e da sua situação. Por fim, revela-lhe abertamente que é o Messias.

A samaritana abandona o poço transformada: deixa o cântaro no local e corre para a cidade para transmitir a mensagem recebida. A população segue-a e dirige-se ao poço para escutar a Palavra. A mulher foi instruída e agora torna-se ela própria testemunha.

Obra espiritual

Admoestar os pecadores

Admoestar os pecadores é um ato de amor e coragem: significa usar a verdade e a misericórdia para ajudar quem erra a reencontrar o caminho certo. Esta obra concretiza a visão de quem escolhe preocupar-se com o destino do outro, sem o abandonar ao erro, mas apoiando-o para que não prejudique a si próprio nem à comunidade. Admoestar não significa julgar ou assumir uma posição de superioridade moral, mas oferecer-se como guia, conselheiro atento e amigo sincero.

Exemplos do Evangelho: Jesus e a mulher adúltera (Jo 8,1-11)

Uma manhã, bem cedo, Jesus está no Templo de Jerusalém, rodeado pelos fiéis. Os seus ensinamentos são interrompidos pela entrada de um grupo de escribas e fariseus e, com eles, uma mulher. Esta é empurrada para o meio da multidão para ser exposta à humilhação pública: foi surpreendida a cometer adultério.

Os acusadores pedem a Jesus que dê a sua opinião, com a intenção oculta de lhe montar uma armadilha: se pedisse que a deixassem partir, o Filho de Deus violaria a sagrada Lei de Moisés, que prevê a lapidação para a culpa da mulher; se se pronunciasse a favor da lapidação, contrariaria os seus próprios ensinamentos, que pregam a paz e a misericórdia.

Aqui, Jesus pronuncia a frase proverbial: «Quem de vós estiver sem pecado, atire-lhe a primeira pedra». Nenhum dos presentes lança qualquer pedra; o Templo esvazia-se, deixando Jesus e a mulher a sós. Ele toma a palavra e pergunta-lhe se algum dos seus acusadores a condenou: «Ninguém, Senhor», responde a mulher.

«Também eu não te condeno; vai e, de agora em diante, não voltes a pecar», responde Jesus, rejeitando a lógica do castigo, mas sem diminuir as suas culpas. Assim, restitui à mulher pecadora a sua dignidade.

N“Testemunhas da misericórdia” - Iluminar

Ser testemunhas da misericórdia – ILUMINAR

Um capítulo de cada vez do livro de Nino Savarino, Governador da Misericórdia de Rosolini, amigo de spazio + spadoni e colaborador de diversos projetos e do blog. Do Salmo 42-43 (41-42): Envia a tua verdade e a tua luz; sejam elas a guiar-me, levem-me ao teu monte santo e às tuas moradas. Dizia o…

Terceira obra espiritual – E hoje? O que podemos fazer?

“As obras do coração” – A terceira obra de misericórdia espiritual

Uma breve meditação de dom Paolo Giulietti, arcebispo de Lucca, sobre a terceira obra de misericórdia espiritual, para vivê-la concretamente no dia a dia. “As obras do coração” é um livreto escrito por dom Paolo Giulietti por ocasião do Jubileu extraordinário da misericórdia convocado em 2015, quando ele ainda era bispo auxiliar de Perúgia e…

Obra espiritual

Consolar os aflitos

O sentido fundamental de Consolar os aflitos está na presença empática, sincera e autêntica perante a dor de quem sofre. A consolação não pode eliminar a pena, mas realiza-se plenamente na escuta e na compreensão de quem enfrenta uma doença, um luto ou é vítima de desânimo e solidão. Consolar é um ato de proximidade, que convida a não desviar o olhar, reconhecendo e enfrentando a angústia do próximo.

Quem recebeu misericórdia não é definido pela sua ferida: através do encontro misericordioso pode redescobrir recursos interiores, novas relações misericordiosas e a certeza de não estar só no caminho da vida.

O termo hebraico para consolar e consolação provém da raiz ‘nhm’, que significa, antes de mais, respirar profundamente, gemer e, no sentido causativo, «fazer respirar», permitir recuperar o fôlego numa situação de dor ou medo (Gn 50,21). Consolar é ajudar uma pessoa oprimida, tão esmagada que já não consegue recuperar o fôlego, a respirar novamente.

Exemplos do Evangelho: Jesus junto ao túmulo de Lázaro (Jo 11,1-45)

Lázaro morre na sua aldeia de Betânia. Quando Jesus, que tinha um profundo afeto pelo falecido, chega ao seu túmulo, encontra as irmãs Marta e Maria, afligidas pela dor da perda do familiar.

Ambas as mulheres procuram consolo em Jesus, expressando o seu profundo pesar, pois, se o Filho de Deus estivesse presente, Lázaro teria sido salvo. Jesus não admoesta as mulheres, não se justifica nem recorre a explicações abstratas, mas partilha o luto das duas irmãs e junta-se a elas, entregando-se ao choro.

Antes de realizar o célebre milagre da ressurreição de Lázaro, Jesus escolhe partilhar o sofrimento das duas irmãs, demonstrando uma dor humana, uma ligação verdadeira e uma proximidade capaz de infundir esperança mesmo perante a pior das tragédias.

“Testemunhas da misericórdia” - Esperar

Ser testemunhas da misericórdia – ESPERAR

Um capítulo de cada vez do livro de Nino Savarino, Governador da Misericordia de Rosolini, grande amigo de spazio + spadni e colaborador de diversos projetos e do blog. Do Salmo 37 (36) Confia no Senhor e faz o bem; habita a terra e vive com fé . Busca a alegria no Senhor, e ele…

Quarta obra espiritual – E hoje? O que podemos fazer?

“As obras do coração” – A quarta obra de misericórdia espiritual

Uma breve meditação de dom Paolo Giulietti, arcebispo de Lucca, sobre a quarta obra de misericórdia espiritual, para vivê-la concretamente no cotidiano. “As obras do coração” é um opúsculo escrito por dom Paolo Giulietti por ocasião do Jubileu Extraordinário da Misericórdia convocado em 2015, quando ainda era bispo auxiliar de Perugia e Città della Pieve.…

Obra espiritual

Perdoar as ofensas

Perdoar as ofensas é uma das formas mais elevadas de liberdade. Não significa justificar o mal, mas interromper a cadeia do ódio e da vingança. É um ato radical e exigente, que convida a fazer uma escolha consciente: uma libertação que arranca o rancor e lança a semente de uma reconstrução assente nos valores da paz e da harmonia.

O verbo hebraico ’slh’, o termo mais comum para designar o perdão, significa apagar a recordação do mal recebido. Noutras passagens da Bíblia usa-se ‘nasa’, que denota levantar para remover, mas também tirar, eliminar. O perdão é, por isso, aniquilação do mal cometido, libertação de um peso que nos oprime, libertação completa da negatividade da nossa vida.

Exemplos do Evangelho: Jesus perdoa aos seus algozes na Cruz (Lc 23,33-47)

A imagem mais poderosa que a vida de Jesus nos transmitiu: ele está na cruz, escarnecido, insultado, humilhado no corpo e na mente. Contudo, o Filho de Deus não cede à violência brutal, não dá espaço à ira, não amaldiçoa os seus algozes, mas reconhece a sua cegueira espiritual e pede o seu perdão: «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem».

Jesus, na cruz, não só perdoa como desculpa, «conseguindo até encontrar, perante o inferno, a fundamentação técnica para a absolvição: os acusados – todos os seres humanos – devem ser absolvidos por incapacidade de entendimento e de vontade» (A. D’Ascanio).

Jesus escolhe o caminho do perdão apesar de os seus algozes não mostrarem qualquer sinal de arrependimento, fazendo com que a força do amor prevaleça sobre o ódio. Esse gesto transforma as pessoas à sua volta: um dos dois ladrões crucificados ao seu lado reconhece-o como Salvador, e Jesus promete levá-lo consigo para o Reino dos Céus; até um centurião reconhece a sua grandeza, sentindo contrição.

Assim, através desse ato de misericórdia sem limites, a ferocidade mais bestial transforma-se na forma mais plena e sublime de amor.

“Testemunhas da misericórdia” - Amar

Ser testemunhas da misericórdia – AMAR

Um capítulo de cada vez do livro de Nino Savarino, governador da Misericordia di Rosolini, amigo de spazio + spadoni e colaborador de diversos projetos e do blog. Do Salmo 118 (117) Dai graças ao Senhor, porque ele é bom; eterna é a sua misericórdia. Diga Israel que ele é bom: eterna é a sua…

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Perdoar as ofensas: a Obra de misericórdia para ensinar às crianças

Num mundo cada vez mais dominado pelo orgulho, as famílias têm a missão de ensinar as crianças a perdoar e a pedir desculpas. (sob a direção do Pe. Bruno Ferrero) Hoje nota-se uma evidente dificuldade generalizada em pedir desculpas. O conceito de perdão é amplamente ignorado. Uma das razões pelas quais muitos adultos sentem dificuldade…

Obra espiritual

Suportar pacientemente as pessoas molestas

Suportar pacientemente as pessoas molestas significa escolher a compreensão em vez da intolerância e a relação em vez da exclusão. Significa exercer constantemente o autocontrolo e a reflexão, recusar ceder aos impulsos. Não é uma aceitação passiva do abuso e da prepotência, mas reconhecer que por detrás da agressividade alheia se esconde frequentemente uma fragilidade emocional, uma dor nunca resolvida. Recusar a reação instintiva é um ato que aproxima o crente da paz interior, preferindo a compreensão à ira.

Esta obra ensina a reconhecer que cada pessoa tem valor. Quem recebeu misericórdia espalha com paciência misericórdia à sua volta, recordando a Palavra do Senhor: «Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso» (Lc 6,36).

Exemplos do Evangelho: Jesus cura Malco, o servo do sumo sacerdote (Jo 18,1-11)

Na noite anterior à sua Paixão, Jesus encontra-se no Getsémani. Ali, Judas Iscariotes entrega-o aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: beija-o, utilizando um gesto de afeto para concretizar a sua traição. Os guardas prendem Jesus, desencadeando a ira de Pedro, que desembainha a espada e fere numa orelha Malco, o servo do sumo sacerdote. Jesus desaprova a ação de Pedro, ordena-lhe que guarde a espada e ponha fim à violência; depois toca na orelha de Malco e cura-o.

O Filho de Deus age com pleno controlo das suas emoções, escolhe o caminho da misericórdia e vai ao encontro do seu destino: a demonstração mais completa de que a verdadeira força pertence a quem sabe governar os seus impulsos instintivos.

“Testemunhas da misericórdia” - Obedecer

Ser testemunhas da misericórdia – OBEDECER

Um capítulo por vez do livro de Nino Savarino, Provedor da Misericordia de Rosolini, amigo de spazio + spadoni e colaborador de vários projetos e do blog. Do Salmo 86 (85): Mostra-me, Senhor, o teu caminho, para que eu ande na tua verdade; dá-me um coração íntegro que tema o teu nome. Eu te louvarei,…

Sexta obra espiritual – E hoje? O que podemos fazer?

“As obras do coração” – A sexta obra de misericórdia espiritual

Uma breve meditação de Dom Paolo Giulietti, Arcebispo de Lucca, sobre a sexta obra de misericórdia espiritual, para vivê-la concretamente no dia a dia. “As obras do coração” é um livreto escrito por Dom Paolo Giulietti por ocasião do Jubileu Extraordinário da Misericórdia proclamado em 2015, quando ele ainda era bispo auxiliar de Perúgia e…

Obra espiritual

Rezar a Deus pelos vivos e pelos mortos

Rezar pelos vivos e pelos mortos significa reconhecer que ninguém está só e que cada vida é guardada numa comunhão maior. A oração torna-se uma ponte que une gerações, povos e histórias, ultrapassando o tempo e o espaço.

Rezar pelos vivos significa proteger e apoiar o próximo, assumindo as suas alegrias e dores. Rezar pelos defuntos significa preservar a sua memória e o afeto por eles para além dos limites da vida terrena.

Exemplos do Evangelho: a intercessão de Jesus durante a Última Ceia (Jo 17,1-26)

Durante a Última Ceia, num momento de profundíssimo recolhimento, Jesus levanta os olhos ao céu e reza ao Pai. O seu primeiro pensamento dirige-se aos discípulos, as pessoas física e espiritualmente mais próximas de si. Intercede para que possam continuar a seguir o caminho certo, encontrando na verdade conforto para a dor que se aproxima. A oração assume depois uma dimensão mais ampla: o Mestre dirige o pensamento a todos aqueles que, ao longo dos séculos, escolherão acreditar na sua palavra. O seu desejo final é que toda a humanidade possa, um dia, reunir-se na glória eterna do Pai.

A oração, neste episódio de intensa ligação, eleva-se à forma mais alta e autêntica de cuidado do próximo, num ato de misericórdia que abraça todos: os vivos, os mortos e os que hão de vir.

“Testemunhas da misericórdia” - Rezar

Ser testemunhas da misericórdia – REZAR

Um capítulo de cada vez do livro de Nino Savarino, Provedor da Misericórdia de Rosolini, amigo de spazio + spadoni e colaborador de vários projetos e do blog. Do Salmo 143 (142) Senhor, ouve a minha oração, escuta a minha súplica; atende-me pela tua fidelidade e pela tua justiça. É sempre tempo de oração Dizia…

Sétima obra espiritual – E hoje? O que podemos fazer?

“As obras do coração” – A sétima obra de misericórdia espiritual

Uma breve meditação de Dom Paolo Giulietti, Arcebispo de Lucca, sobre a sétima obra de misericórdia espiritual, para vivê-la concretamente no dia a dia. “Le opere del cuore” é um opúsculo escrito por Dom Paolo Giulietti por ocasião do Jubileu extraordinário da misericórdia proclamado em 2015, quando ele ainda era bispo auxiliar de Perugia e…

Luigi Spadoni

Conteúdos concebidos e realizados por Luigi Spadoni, fundador do spazio + spadoni.

Cronologia das obras de misericórdia

  • SÉCULO I – EVANGELHO
    Em Mateus 25,31-46, é o próprio Jesus que, no discurso conhecido como «Juízo Final», indica aquilo que é unanimemente considerado como as referências originais às Obras de Misericórdia.
  • SÉCULO II – HERMAS
    Propõe 20 boas obras e boas atitudes, não apenas como ações, mas como disposições interiores e formas de viver as relações.
  • 150-200 – SANTO IRENEU DE LIÃO
    Comenta Mt 25, defendendo que dar aos necessitados equivale a dar a Deus.
  • 200-250 – ORÍGENES
    Oferece uma interpretação alegórica de Mateus 25, sublinhando a importância de alimentar tanto o corpo como a alma.
  • 250-300 – LACTÂNCIO
    Apresenta uma lista semelhante à que se tornará tradicional para as «obras de misericórdia». Convida a desenvolver a ideia e a prática das Obras de Misericórdia indutivas.
  • SÉCULO III – CIPRIANO DE CARTAGO
    No seu tratado, salienta que a oração deve ser acompanhada de boas obras.
  • 347-407 – SÃO JOÃO CRISÓSTOMO
    Introduz o conceito de «Sacramento do irmão».
  • 354-430 – SANTO AGOSTINHO DE HIPONA
    Estabelece as duas formas de obras de misericórdia, corporais e espirituais, com o conceito de «dar e perdoar», e agrupa-as em três categorias: a reconciliação, o convite a estar atento às necessidades espirituais do próximo e a oração.
  • 470-542 – CESÁRIO DE ARLES
    Reflete sobre a caridade, sublinhando a importância de dar apesar das limitações pessoais.
  • 604 – PAPA GREGÓRIO MAGNO
    Atesta a interpretação espiritual e material das obras de misericórdia, com referência a Job 29,12-13.
  • 1050-1107 – TEOFILACTO DE OHRID
    Ao comentar Mt 25, salienta a dupla natureza humana (alma e corpo) e a necessidade de caridade em ambas as formas.
  • 1179 – COMESTOR
    Acrescenta a sétima obra corporal de misericórdia, «sepultar os mortos», retirada de Tobias 1,17.
  • 1244 – SÃO PEDRO MÁRTIR
    No contexto do florescimento de confrarias e associações marianas, frei Pedro de Verona funda em Florença a primeira Misericordia, chamada a «honrar Deus com obras de misericórdia para com o próximo»
  • 1274 – TOMÁS DE AQUINO
    Confirma a lista das obras de misericórdia, incluindo as sete corporais (com a sétima retirada de Tobias) e as sete espirituais.
  • 1549-1563 – CONCÍLIO DE TRENTO
    Sublinha que as obras de misericórdia são uma expressão natural e necessária da fé em Deus e do amor ao próximo.
  • 1908 – PAPA PIO X
    No Catecismo da Doutrina Católica, sintetiza as 14 obras de misericórdia discutidas no Congresso Catequético Nacional de 1889.
  • 1992 – CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA
    Afirma que as obras de misericórdia são ações caritativas que ajudam o próximo nas suas necessidades, tanto corporais como espirituais.
  • 1992 – PAPA JOÃO PAULO II
    Aprovou o Catecismo da Igreja Católica e a sua forma definitiva em 1995; na secção das Fórmulas da Doutrina Católica encontram-se as 14 obras de misericórdia.
  • 2005 – PAPA BENTO XVI
    Motu proprio para a aprovação e publicação do Compêndio da Igreja Católica.
  • 2015 – PAPA FRANCISCO
    A 13 de março, proclama, através da bula pontifícia Misericodiae Vultus, o Jubileu Extraordinário da Misericórdia.
  • 2023 – SPAZIO + SPADONI
    Em setembro, promove OPERAM através dos Fóruns sobre a riEvolução das obras de misericórdia em Itália – Noto/Sicília e em África – Benim/Cotonou, Burquina Faso/Bobo-Dioulasso.

Perguntas frequentes sobre as Obras de Misericórdia

Quais são as origens históricas e bíblicas das Obras de Misericórdia?

As raízes históricas e teológicas das Obras de Misericórdia remontam:

Ao Antigo Testamento: os textos da Antiga Aliança ensinam o cuidado dos mais pobres, dos estrangeiros e dos órfãos, temas centrais nos ensinamentos dos profetas.
Ao Novo Testamento: a mensagem de Jesus tem o seu fundamento no capítulo 25 do Evangelho segundo Mateus, em que o Mestre indica a atenção aos famintos, aos sedentos, aos doentes, aos estrangeiros, aos nus e aos presos como medida do amor autêntico.

Estes ensinamentos foram codificados pela Igreja Católica ao longo dos séculos. Durante a Idade Média, inspirando-se no livro de Tobias, foi acrescentado o ato de sepultar os mortos. Posteriormente, as necessidades materiais foram complementadas pelas espirituais, definindo o conjunto das catorze obras de misericórdia tal como as conhecemos hoje.

Porque são 14 as Obras de Misericórdia?

A numerologia do catorze deriva da perfeita simetria entre as sete Obras Corporais e as sete Obras Espirituais. O número 7, na visão cristã, tem um forte significado simbólico, representando a totalidade e a perfeição.

As sete obras de cuidado corporal e os sete atos de conforto espiritual encarnam a assunção de responsabilidade no cuidado da pessoa em todas as suas necessidades e respondem de forma global a cada necessidade humana, nas suas dimensões física e interior.

Qual é a diferença entre as Obras de Misericórdia Corporais e as Espirituais?

A diferença entre as obras de misericórdia corporais e as espirituais reside no diferente âmbito de sofrimento a que cada grupo responde, embora as duas categorias permaneçam profundamente interligadas.

As Obras Corporais dizem respeito às necessidades físicas e materiais do ser humano, aliviando as dores e as fragilidades do corpo.
As Obras Espirituais cuidam das feridas da alma através de atos como o ensino, o conselho, o perdão e a oração.

No seu conjunto, as catorze obras mostram que o cuidado autêntico do próximo só o é na medida em que consegue oferecer apoio ao ser humano na sua plenitude.

Que valor têm hoje as Obras de Misericórdia?

A sociedade atual caracteriza-se pelo individualismo, pela instabilidade das relações e pela incapacidade de diálogo. Num mundo assim, as Obras de Misericórdia assumem uma relevância e um papel orientador profundamente atuais. Mostram que os comportamentos humanos devem recuperar a empatia e o interesse pelo próximo, como bússolas morais contra a indiferença e o egoísmo.

As Obras de Misericórdia permitem-nos enfrentar os males e as vulnerabilidades do ser humano moderno através do cuidado dos outros e de uma nova ligação autêntica. Representam um caminho de salvação contra a marginalização social, o isolamento digital e todas as formas modernas de precariedade social, material e afetiva. Em última análise, recordam-nos que a força de uma comunidade se mede pela sua capacidade de proteger e valorizar os seus membros mais frágeis.

Como se podem praticar as Obras de Misericórdia na vida quotidiana?

O grande ensinamento das catorze Obras está no convite a exercer a misericórdia no nosso quotidiano, não como atos heroicos isolados e esporádicos, mas como uma atitude constante de interesse pelo bem do próximo.

Hoje, como Jesus mostrou através do exemplo e não apenas das palavras, as Obras de Misericórdia devem traduzir-se em gestos simples, capazes de valorizar a vida dos outros: ajudar quem está em dificuldade, preocupar-se com as necessidades alheias, cuidar do próximo sem esperar que ele o peça, escutar os marginalizados e tratar cada pessoa com profunda dignidade.

Cada interação quotidiana torna-se assim uma oportunidade para praticar o bem, entendido como a forma mais elevada de ligação comunitária e a via autêntica para nos aproximarmos de Deus.

Catequese: como explicar as Obras de Misericórdia às crianças e aos jovens?

Ensinar eficazmente as Obras de Misericórdia aos mais novos significa conseguir traduzir os conceitos teológicos em imagens concretas, utilizando histórias, parábolas e exemplos ligados à vida quotidiana.

As crianças e os jovens não gostam de listas de regras abstratas, mas compreendem profundamente as narrativas em que se podem reconhecer, encontrando modelos positivos a seguir. Neste sentido, os inúmeros episódios de misericórdia que caracterizam a vida de Jesus mostram com clareza imediata o que significa cuidar dos outros, longe de juízos, preconceitos e distâncias sociais.

Os jovens devem ser orientados para compreender que a misericórdia não é uma prerrogativa dos adultos, mas uma atitude que pode e deve orientar as ações de cada pessoa, tanto como forma de respeito por Deus como esforço constante de quem quer contribuir para tornar o mundo um lugar melhor.

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