Perdoar as ofensas: a Obra de misericórdia para ensinar às crianças

24 de August, 2025

Redação
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Num mundo cada vez mais dominado pelo orgulho, as famílias têm a missão de ensinar as crianças a perdoar e a pedir desculpas.

(sob a direção do Pe. Bruno Ferrero)

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Hoje nota-se uma evidente dificuldade generalizada em pedir desculpas.

O conceito de perdão é amplamente ignorado. Uma das razões pelas quais muitos adultos sentem dificuldade em se expressar na linguagem do perdão reside no fato de nunca terem aprendido esse vocabulário na infância. Conheça os passos necessários para aprendê-lo.

Jubileu, um ano para perdoar e ser perdoado

Para a Igreja Católica, o Jubileu é o ano da remissão dos pecados, da reconciliação, da conversão e da penitência sacramental. É igualmente chamado de Ano Santo.

Pode ser um ano magnífico para se viver em família e aprender.

A arte do perdão deve ser assimilada durante a infância. Uma criança pode aprender a pedir desculpas desde muito pequena, e a sua compreensão sobre o valor do perdão pedido e concedido deve crescer junto com ela.

Dessa forma, criam-se as bases para o crescimento moral e relacional nos anos vindouros. Os pais devem acompanhar os filhos por meio de uma série de etapas simples, porém decisivas.

Assumir as responsabilidades

O primeiro passo para ensinar os nossos filhos a pedir desculpas consiste em incentivá-los a assumir a responsabilidade pelas suas ações. Esse aprendizado pode começar muito cedo e em contextos moralmente neutros. Assumir a responsabilidade pelas próprias palavras e ações é o primeiro passo para aprender a pedir desculpas.

Em geral, as crianças assumem com alegria a autoria das suas ações positivas. «Comi três garfadas de espinafre. Posso comer o pudim agora?». «Sou o mais rápido de todos na corrida». «Desenhei um carro bonito na aula de artes». São todas expressões de quem assume a responsabilidade por boas atitudes.

No entanto, as crianças não são tão rápidas em assumir a responsabilidade por ações menos louváveis. Quando foi a última vez em que você ouviu uma criança de três anos admitir: «Comi o doce que a mamãe mandou não mexer» ou: «Empurrei o Nicolino»? Uma atitude responsável nesse nível requer muita atenção dos pais, que devem corrigir pacientemente frases do tipo «Quebrou!» transformando-as em frases iniciadas por “eu”: «Eu quebrei!».

Ações que afetam os outros

O segundo passo para ensinar as crianças a pedir desculpas reside em ajudá-las a perceber que os seus atos sempre afetam as outras pessoas. «Se você ajuda a mamãe a pôr a mesa, a mamãe fica feliz. Se você brinca de bola dentro de casa e quebra a luminária, a mamãe fica triste. Se você diz à irmãzinha: «Eu te amo», ela se sente amada; mas se você diz: «Eu te odeio», ela se sente ferida. As suas palavras e ações ajudam ou ferem outras pessoas. Quando ajuda alguém, você se sente bem; quando fere uma pessoa, você se sente mal».

Os seres humanos são frágeis e vulneráveis. Todos carregam uma etiqueta dizendo: «Tratar com cuidado, manusear com cautela, mercadoria delicada».

Na vida existem regras

O terceiro passo para ensinar as crianças a pedir desculpas consiste em fazê-las entender que na vida há sempre regras. A mais importante é a regra de ouro ensinada por Jesus: faça aos outros o que gostaria que fizessem a você.

Existem, no entanto, muitas outras diretrizes elaboradas para nos ajudar a viver bem. «Não se brinca de bola dentro de casa» é uma regra que muitos pais estabelecem por motivos evidentes. «Não devemos pegar nada que não nos pertença. Não devemos falar mentiras sobre outras pessoas. Não devemos atravessar a rua sem ter certeza de que não vêm veículos de um lado ou de outro. Devemos dizer “obrigado” quando alguém nos oferece algo ou elogia algo em nós. Devemos ir à escola todos os dias úteis, a menos que estejamos doentes ou haja um problema sério».

É necessário pedir desculpas

O quarto passo consiste em demonstrar às crianças que pedir desculpas é fundamental para manter bons relacionamentos interpessoais. Quando agrido alguém com palavras ou atitudes, construo uma barreira entre essa pessoa e eu. Se não aprendo a pedir perdão, essa barreira permanece e o vínculo se rompe. Atitudes e palavras ofensivas afastam os outros e, sem um pedido de desculpas, esse distanciamento se aprofunda. A criança, o adolescente ou o adulto que não compreende essa verdade acabará isolado e solitário.

O jogo dos cinco degraus

Tudo isso pode ser sintetizado numa escala de cinco degraus, que funciona quase como uma brincadeira para os menores:

  1. Expressar arrependimento: «Sinto muito»;
  2. Assumir a própria responsabilidade: «Eu errei»;
  3. Tentar remediar: «O que posso fazer para consertar?»;
  4. Comprometer-se sinceramente com o futuro: «Vou me esforçar para não fazer mais isso»;
  5. Pedir perdão: «Você pode me perdoar?».

O objetivo é que as crianças desenvolvam uma “mentalidade de perdão”. O domínio dessa capacidade deve se expandir com a idade, assemelhando-se ao processo de aprendizado de um novo idioma.

De todo modo, o caminho mais eficaz para ensinar os filhos mais velhos a dominar a linguagem do perdão é o exemplo prático. Quando os pais pedem desculpas aos filhos por palavras duras ou atitudes injustas, proporcionam a melhor das lições. As crianças pequenas seguem o que os pais dizem; os filhos mais velhos imitam o que os pais fazem. Se os pais aprendem a pedir perdão reciprocamente, aos filhos e ao próximo, os filhos também aprenderão a vivenciar os idiomas do perdão.

Foto de Alexander Dummer (Pexels)

Fonte: Vivere, Rivista Sacro Cuore, janeiro de 2025, pp. 20 – 21

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