África, Burundi | Formação em não-violência ativa para os membros FDC

21 de August, 2026

Irmã Gaudence Nininahazwe

Irmã Gaudence Nininahazwe

Formação FDC sobre não violência em Bururi
Um momento da formação sobre não violência ativa promovida pela «Família dos Discípulos de Cristo» na Diocese de Bururi, no Burundi.

Quarenta membros associados do Instituto Família das Discípulas de Cristo (FDC), provenientes das dioceses de Bururi, Bujumbura, Rutana e Ruyigi, participaram de uma sessão de formação sobre a Não-violência Ativa (NVA).

Organizada de 17 a 18 de agosto de 2026 no Pequeno Seminário de Buta, na diocese de Bururi, sede do Instituto, a formação teve como objetivo fortalecer as competências dos participantes na prevenção e na gestão pacífica de conflitos, tanto nas famílias quanto nos ambientes profissionais e comunitários.

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A formação foi orientada por uma religiosa da Família das Discípulas de Cristo. Insere-se na missão comum do Instituto e de seus membros associados leigos: promover e acompanhar as Comunidades Eclesiais de Base para que se tornem testemunhas do amor de Deus Pai.

Membros associados chamados a ser artesãos da paz

Os quarenta participantes eram 11 homens, 15 mulheres e 14 jovens mulheres solteiras. Através desta formação, o Instituto FDC busca oferecer aos seus membros associados ferramentas práticas que lhes permitam compreender melhor os mecanismos da violência, prevenir conflitos e buscar soluções fundamentadas no diálogo, na justiça e na reconciliação.

Os ensinamentos abordaram especialmente a Não-violência Ativa como alternativa à violência, a prevenção e a gestão de conflitos, a redução de suas consequências negativas, bem como a construção de relações pautadas na equidade e no respeito mútuo.

A formação também tratou da cura de traumas, com atenção específica ao modo como o organismo reage ao estresse e a vivências traumáticas. Os participantes foram sensibilizados sobre caminhos para lidar melhor com os traumas e seus desdobramentos.

Entre os temas desenvolvidos estiveram também a Comunicação Não-violenta (CNV), o perdão e a reconciliação.

Iniciar a não-violência a partir de si mesmo

Ao término do encontro, diversos participantes manifestaram satisfação, ressaltando a aquisição de conhecimentos e recursos para transformar sua forma de lidar com tensões e conflitos.

Conforme os relatos obtidos, a formação colaborou decisivamente para fortalecer a autoconfiança e a confiança no próximo, aprimorando simultaneamente as habilidades pessoais e profissionais indispensáveis ao enfrentamento harmonioso dos desafios cotidianos.

Pierre Niyonizigiye: «Os ensinamentos recebidos me ajudarão a cumprir melhor a minha missão»

Niyonizigiye, catequista da paróquia de Rutovu e responsável pela instituição do Ubushingantahe, valorizou profundamente os conteúdos ministrados na capacitação.

«Eu, que sou catequista e responsável pela instituição do Ubushingantahe, encontro muitas pessoas. Os ensinamentos recebidos me ajudarão a cumprir melhor a minha missão de orientar os outros na resolução pacífica de conflitos».

Para ele, esta oportunidade proporcionou a descoberta de novos caminhos para edificar uma sociedade mais pacífica, justa e fraterna, começando pela própria conduta.

Ele também declarou ter sido intensamente tocado pelo tema do perdão e da reconciliação, sobretudo a partir do testemunho de Nelson Mandela. Em sua avaliação, diagnosticar a origem de um conflito e auxiliar o irmão a libertar-se do rancor e do ódio é um passo decisivo rumo à concórdia.

Ao final do treinamento, Niyonizigiye assumiu o compromisso de romper com a propagação da violência e de não reagir por métodos agressivos, priorizando o diálogo, a reflexão sobre as causas profundas e a mediação serena.

Félicien Ndayiganyiye: «É urgente semear justiça e verdade»

Para Félicien Ndayiganyiye, os aprendizados colhidos representam um instrumento para vivenciar a não-violência diariamente e irradiá-la às pessoas ao redor.

Ele ressalta que, entre as causas preponderantes de atrito apontadas pelo grupo, a injustiça assume papel central.

«É urgente fazer um apelo firme para semear a justiça e a verdade».

Félicien Ndayiganyiye incentiva as pessoas em litígio a sentarem-se juntas e a darem primazia ao diálogo, com o propósito de alcançarem soluções compartilhadas.

Uma formação inserida em um percurso mais amplo

Esta formação voltada aos membros associados dá continuidade à etapa realizada em abril de 2026, quando 94 religiosas da Família das Discípulas de Cristo receberam preparação sobre os mesmos temas.

Por meio desses encontros, o Instituto FDC consolida sua dedicação em prol do cultivo da não-violência, da escuta, da justiça, da reconciliação e do perdão.

A capacitação dos associados simboliza também um avanço relevante no cumprimento da vocação compartilhada entre as religiosas do Instituto e os leigos. Ao ampliar essas competências, o Instituto deseja constituir agentes capacitados para fomentar a convivência pacífica e a fraternidade em seus lares, ambientes de trabalho e comunidades.

Com essa realização, a Família das Discípulas de Cristo ratifica que a não-violência ultrapassa o campo das ideias: brota de uma renovação interior e reflete-se na relação com o próximo.

Foto da irmã Gaudence Nininahazwe

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