Salmo 23 – Todos os Santos

29 de Outubro, 2026

Carlo Miglietta
salmo
  1. O Salmo 23 consta de duas partes. A primeira é um ritual para a admissão dos peregrinos ao Templo de Deus: os peregrinos, chegados à proximidade do Templo, colocam a questão: “Quem subirá o Monte do Senhor? Quem estará no seu lugar Santo?”; e os sacerdotes respondem iluminando os fiéis sobre as disposições necessárias para entrar no Templo de Deus: “Quem tem mãos inocentes e coração puro, quem não profere mentira, quem não jura em prejuízo do seu próximo”. Os peregrinos, por sua vez, respondem: “Eis a geração que o procura, que procura o teu rosto, Deus de Jacob” (vv. 1-6).
  2. A segunda parte do Salmo foi provavelmente composta e cantada para celebrar a primeira entrada solene da arca da Aliança na tenda construída por David em Jerusalém (2 Sam 6,12-17). Às portas da tenda, um cortejo de sacerdotes canta uma espécie de convite: “Levantai, ó portas, os vossos frontais; erguei-vos, portas antigas, e entre o rei da glória”. O coro dos fiéis pergunta: “Quem é este rei da glória?”; os sacerdotes respondem: “O Senhor forte e poderoso, o Senhor poderoso na batalha”. Nesse momento as portas abrem-se de par em par e a arca faz a sua entrada, sinal da presença do Senhor que, como um comandante vitorioso, caminha à cabeça do seu povo (vv. 7-10).
  3. O Salmo 23 oferece a cada um de nós preciosos ensinamentos: indica as condições necessárias para nos aproximarmos de Deus, para sermos “Santos”. A santidade, a “qedoshà” é própria de Deus, e subentende o ser “postos à parte”, a alteridade, quer do ponto de vista cultual quer moral. Mas “«santos» são sempre e unicamente os «santificados», e o passivo indica a ação divina… Santificar é «assunto de Deus e não dos homens» (Blumhardt, o Velho). Deixemo-nos invadir pela Santidade de Deus, não colocando obstáculos à vinda do Senhor em nós.

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