É fundamental redescobrir todos os dias a emoção que vem de perdoar com um coração sincero.
Saber perdoar exige um ato de fé e um ato de esperança que, para serem vividos em plenitude, pressupõem não tanto a espontaneidade — muito difícil no perdão —, mas um momento de grande inteligência.
E isso não se aplica apenas na esfera pessoal e familiar, mas também ao nível da história mundial.
Russos e ucranianos, israelenses e iranianos e assim por diante todos os «pedaços» de guerra que parecem nunca ter fim, só poderão deixar seus equilíbrios de medo e de morte com a coragem de um ato de fé recíproco.
Perdoar sinceramente é, de fato, dar confiança ao outro, esforçando-nos para não olhar para o passado, com suas ofensas e incompreensões, mas para a possibilidade de um futuro de paz.
Assim como Deus faz conosco, perdoando-nos não apenas como Aquele que esquece os nossos pecados, mas como Aquele que nos convida a olhar para a frente, além de nós mesmos, indicando-nos novos arco-íris e novos horizontes.
Sim! Deus perdoa sinceramente: rompe as amarras que prendem o barco da vida, fazendo-o navegar rumo a novas alvoradas e a um novo futuro, com o vento do amor soprando as velas e dando energia e coragem aos nossos corações.
Ele perdoa com um ato de fé em nós, alargando o Seu coração ao infinito, enquanto nós muitas vezes perdoamos, sim, mas guardamos na memória um pouco de rancor e desconfiança porque, mesmo perdoando, não conseguimos confiar; ao passo que perdoar sinceramente exige precisamente isso; e isso, convenhamos, é verdadeiramente difícil.
Difícil porque temos de apostar nas pessoas, como Deus aposta em nós, com um ato de fé que, purificando o nosso coração, nos faz redescobrir a emoção e o encanto de uma nova «virgindade» da nossa memória.
Tal como escreve o profeta: «Dar-vos-ei um coração novo e porei dentro de vós um espírito novo».
Desta forma, os nossos perdões e as nossas pazes não serão apenas uma trégua entre contendores que param para recuperar o fôlego enquanto tentam acumular armas e munições para os próximos confrontos.
Não! Para nós, cristãos, não pode ser assim! O perdão ou existe ou não existe, tal como a misericórdia de Deus que sempre existe, apesar dos nossos humores e dos nublados dos nossos corações.
Hoje, então, rezemos para que este perdoar verdadeiro e sincero ilumine as relações tanto entre nós como entre as nações, onde infelizmente a paz ainda parece um sonho.
Deixemo-nos reconciliar com Deus, demos espaço para a Sua ação libertadora em nós.
A beleza do perdão é «fazer-se ao largo», é respirar o ar puro e sempre novo de quem não se detém no pretérito perfeito, «perdoei», mas aceita o desafio de conjugar no gerúndio, «estou perdoando».
Imagem criada digitalmente por spazio + spadoni

Itália


