Mongólia, a sede da estepe e o compromisso de cuidar da terra

20 de August, 2026

Ze Vong

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Timor-Leste Timor-Leste

A seca das estepes da Mongólia
Paisagem árida da estepe na Mongólia com pastores nómadas e projetos de recuperação sustentável da água

A vastidão dos planaltos mongóis expressa uma memória milenar de profunda harmonia e delicado equilíbrio entre o ser humano e a natureza. Hoje, contudo, este laço ancestral corre sério risco de se romper perante o avanço implacável da aridez e da degradação ambiental. Por ocasião da COP17 em Ulan Bator, o grito de alerta ressoa com máxima urgência: a deterioração do solo e a desertificação afetam quase 77% do território nacional, pondo em causa a sobrevivência de um terço da população, dependente do pastoreio tradicional.

Uma crise ambiental que atinge as comunidades rurais

«A desertificação na Mongólia é visível a olho nu», relata a irmã Sandra Garay, missionária da Consolata e diretora executiva da Caritas Mongólia. Ao percorrer as regiões rurais afastadas da capital, os sinais da crise ecológica são evidentes: as nascentes de água desaparecem gradualmente, a vegetação nativa cede lugar à areia e as tempestades de poeira mais do que triplicaram desde a década de 1960.

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A agravar este cenário surge o dzud, um fenómeno climático extremo caracterizado por invernos rigorosos que sucedem a verões tórridos e secos. Apenas no período de 2023-2024, cerca de oito milhões de animais morreram devido ao frio intenso e à falta de alimento. Para os pastores nómadas, a perda do gado significa a ruína económica imediata e a queda na pobreza extrema.

Dar de beber a quem tem sede: proteger a vida e a dignidade

Perante uma terra sedenta e comunidades desprovidas de recursos, a solidariedade reflete com autenticidade a obra de misericórdia corporal de dar de beber a quem tem sede. Na estepe mongol, este apelo evangélico vai muito além da assistência pontual: converte-se numa ação duradoura de justiça ecológica, focada em proteger os lençóis freáticos, recuperar poços comunitários e promover uma gestão inteligente das escassas reservas de água.

Saciar a sede da terra e das pessoas significa resguardar a dignidade humana, evitar a migração forçada para as periferias urbanas e restabelecer as bases essenciais para a vida comunitária e a biodiversidade.

Inovação sustentável e esperança para o futuro

A resposta aos desafios climáticos concretiza-se em iniciativas regeneradoras de grande valor. Entre elas sobressai a implementação das «meias-luas», bacias semicirculares que retêm as águas pluviais, aumentam a humidade do solo e estimulam a regeneração espontânea das pastagens degradadas.

Além disso, a edificação de estufas solares passivas e a capacitação em agricultura biológica permitem aos pequenos produtores diversificar os seus rendimentos, consolidando a sua resiliência diante das intempéries climáticas.

«Cuidar da terra significa cuidar das pessoas», reitera com firmeza a irmã Garay. Saciar a sede da estepe através de obras vivas de partilha e dedicação constitui um testemunho fecundo de fraternidade universal e guarda responsável da Criação.

Imagem criada digitalmente por spazio + spadoni

Fonte: Agenzia Fides

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