Visitar os enfermos: a obra de misericórdia revelada pela arte

11 de Fevereiro, 2024

A obra de misericórdia corporal «visitar os enfermos» vista através de duas pinturas.

Como se sabe, a imagem é frequentemente a forma mais direta e significativa de expressar um pensamento, uma ação ou um sentimento. A Igreja compreendeu há séculos a força deste meio tão claro e acessível a todos, confiando a numerosos artistas o papel de propagar mensagens fundamentais.

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A dolorosa experiência da doença

A pintura «A sala das agitadas» de Telemaco Signorini (1865) retrata com fidelidade o impacto na alma humana diante da certeza de uma enfermidade grave. A mente, nem sempre capaz de acolher a dor e a fraqueza, manifesta-se por vezes de maneira incomum, imprevisível e incontrolável.

Tais reações evidenciam que o doente necessita não apenas de remédios, mas acima de tudo de presença amiga e consolo. Na sala ampla e despojada onde Signorini retrata as «loucas», a parte superior da composição é dominada por um vazio pesado, iluminado por uma luz amarela pálida que oprime as figuras.

É o vazio do sofrimento, da angústia e da incerteza quanto ao futuro. Como todos nós já experimentamos o mistério da doença, direta ou indiretamente, compreendemos o apelo da Igreja para prestar assistência a quem padece.

O calor da proximidade

Em contraste, transmite profunda paz o quadro de Albert Anker (Suíça 1831-1910) «A devoção ao avô», de 1893. Em um modesto aposento, o pintor nos apresenta o idoso reclinado sobre almofadas em sua poltrona, coberto pela manta habitual, olhar sereno voltado para as recordações, ao passo que o neto pequeno, vestindo seu avental, lê atentamente uma história.

O rosto do jovem revela todo o carinho e dedicação para alegrar o avô, propiciando-lhe momentos acolhedores e aliviando a tristeza causada pela enfermidade. As tonalidades quentes de castanho harmonizam o ambiente, demonstrando que as dores do mundo se suavizam diante da ternura de quem realiza esta admirável obra de caridade.

Muitos autores e artistas sentiram essa dor na própria pele, convertendo-a em generosidade e obras admiráveis.

Imagem de capa: Biblioterapia italiana

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