- O Salmo 84 que hoje a liturgia nos oferece refere-se aos dias que se seguiram imediatamente à libertação do exílio concedida por Ciro em 538 a. C., e às primeiras dificuldades encontradas pelos regressados à pátria.
- O início do Salmo é um hino de louvor e de agradecimento pelo regresso do exílio e pelo perdão das culpas do passado. Restam, no entanto, tantas dificuldades a superar, e eis a ardente súplica a Deus para que leve a termo o seu projeto de salvação.
- Em resposta a esta oração, e como encorajamento aos ânimos cansados e desanimados, ergue-se na terceira parte uma voz profética que anuncia uma mensagem da parte de Deus: mensagem de paz, de misericórdia, de verdade, de justiça: “Escutarei o que diz Deus, o Senhor: ele anuncia a paz para o seu povo, para os seus fiéis, para quem regressa a ele com confiança. Sim, a sua salvação está próxima de quem o teme, para que a sua glória habite a nossa terra. Amor e verdade se encontrarão, justiça e paz se beijarão” (vv. 9-11). Mas sobretudo Deus promete retomar o seu lugar no meio do povo, caminhar com os homens: “A verdade germinará da terra e a justiça debruçar-se-á do céu. Certamente, o Senhor dará o seu bem…; a justiça caminhará diante dele: os seus passos traçarão o caminho” (vv. 12-14). Jesus é a “Justiça de Deus” (Rm 3,21-25), ou seja, a máxima expressão de Deus que se relaciona connosco, até se tornando um de nós, encarnando, entrando na nossa história. Este é o segredo do: “Coragem, sou Eu, não tenhais medo!”, que encontraremos também no Evangelho de domingo, que nos falará de Jesus que acalma a tempestade e nos liberta, com a sua presença, de todo o temor e angústia.
Partilhar este artigo
As palavras podem inspirar; a partilha pode levá-las ainda mais longe.

Itália
