- Segundo a indicação do título, o autor do Salmo 62 é o rei David, enquanto habitava no deserto de Judá, durante a rebelião do filho Absalão (2 Sam 15,23-30). Um desejo e uma sede ardente de Deus impelem o salmista à procura do seu Senhor, como a terra sequiosa procura a água. Ele anseia poder contemplar no Templo a sua potência e a sua glória: para ele conta mais o amor de Deus do que a própria vida: “2Ó Deus, tu és o meu Deus, desde a aurora eu te procuro, tem sede de ti a minha alma, deseja-te a minha carne em terra árida, sequiosa, sem água. Assim no santuário te contemplei, vendo a tua potência e a tua glória. Porque o teu amor vale mais do que a vida” (vv. 2-4).
- Deus é o bem supremo: dele, como num lauto banquete, sacia-se toda a nossa vida, e ao louvá-lo exultamos de alegria. Também nas horas da noite o salmista pensa em Deus e sente-se protegido pelo seu amor como por asas amorosas (vv. 5-8). O Salmista confia-se totalmente ao Senhor que o sustenta com a força da sua direita: esta total confiança torna-o seguro mesmo diante de todos os seus inimigos e de todas as provações da vida (vv. 9-12).
- Com as maravilhosas elevações do Salmo, o Senhor conduz-nos da ansiedade da procura à alegria da comunhão e ao abandono nos braços dele, que nos sustenta com força, e cujo amor é o verdadeiro sentido da nossa vida. A autêntica oração é sempre procura e aspiração a Deus. Este Salmo ajuda-nos a ir docilmente ao encontro de Deus, o qual nos ilumina enquanto nele pensamos, e nos nutre em profundidade enquanto o adoramos: “Quando penso em ti que foste o meu auxílio, exulto de alegria à sombra das tuas asas. A ti se apega a minha alma: a tua direita me sustenta” (vv. 7-9).
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