- O Salmo 102 é um maravilhoso hino à misericórdia e ao perdão de Deus, que “perdoa todas as nossas culpas, que sabe de que somos plasmados, que se lembra de que nós somos pó e não nos trata segundo os nossos pecados, não nos retribui segundo as nossas culpas” (vv. 3.14.10).
- Deus não é, portanto, “justo” segundo os critérios humanos, porque é Amor, e por isso, na sua misericórdia, nunca castiga, mas perdoa sempre (2 Sam 24,14; Sl 51,3; 66,20): “Porque sou Deus e não um homem; sou o Santo no meio de ti e não virei a ti na minha ira” (Os 11,9). A misericórdia é expressão da sua essência divina. A misericórdia distingue-o completamente dos homens e eleva-o acima de todo o humano.
- Mas Deus não só perdoa sempre: ele esquece completamente os nossos pecados. Muito longe da habitual imagem de um Deus que no fim da nossa vida nos esperará com uma balança na qual deverá avaliar se em nós prevaleceu o bem ou o mal, ou com um grande caderno onde estarão escritas todas as nossas ações! Devemos levar a sério as palavras da Escritura: “Eu apago os teus delitos por amor de mim mesmo, e não me lembro mais dos teus pecados!” (Is 25,7; cf. 43,25); os nossos pecados são “lançados no fundo do mar” (Mq 7,19), tornar-se-ão “brancos como a neve e como a lã” (Is 1,18), serão “dissipados como névoa e como nuvem” (Is 44,22), porque Deus esquece verdadeiramente todas as nossas culpas! Realmente “como o céu é alto sobre a terra, assim é grande a sua misericórdia.., como dista o oriente do ocidente, assim Deus afasta de nós as nossas culpas” (vv. 11-12).
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