Paquistão | O carinho da Igreja: quando consolar os aflitos se torna missão

15 de Abril, 2026

Ze Vong

Ze Vong

Um gesto de proximidade e consolação para quem sofre em Lahore, no Paquistão
Consolar os aflitos no Paquistão

O novo arcebispo de Lahore escolhe o caminho da proximidade: visitar uma família em sofrimento torna-se um sinal concreto da obra de misericórdia espiritual de consolar os aflitos

Uma visita que se torna um sinal pastoral

No Paquistão, a misericórdia não é uma palavra abstrata, mas um gesto simples: entrar numa casa ferida e partilhar a dor. Foi o que fez o novo arcebispo de Lahore, Mons. Khalid Rehmat, que, nos primeiros dias do seu ministério, decidiu visitar uma família católica provada pelo sofrimento.

Segundo a Fides, o arcebispo decidiu visitar os pais de Iftkhar Masihi, um jovem católico encontrado enforcado no dia 26 de março, enquanto estava sob custódia policial, no bairro de Kahna, em Lahore.

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Não foi uma cerimónia oficial, mas um encontro em casa, feito de escuta, oração e proximidade. Um sinal claro: o pastor caminha, antes de mais, ao lado de quem sofre.

O sofrimento escondido dos cristãos paquistaneses

A comunidade cristã paquistanesa vive frequentemente situações de fragilidade social, discriminação e precariedade económica.

Neste contexto, a visita do arcebispo assume um valor profundo. A família visitada representa muitas outras realidades marcadas pela doença, pela pobreza ou pelo isolamento.

A presença do bispo torna-se então uma resposta evangélica à solidão: a Igreja não observa de longe, mas entra nas feridas da história, partilhando lágrimas e esperança.

Consolar os aflitos: uma obra de misericórdia concreta

Entre as obras de misericórdia espirituais, consolar os aflitos é talvez uma das mais silenciosas e, ao mesmo tempo, uma das mais necessárias. Consolar não significa dar soluções imediatas, mas permanecer ao lado, reconhecer a dignidade do sofrimento e recordar que ninguém é esquecido por Deus.

Ao rezar com a família e oferecer palavras de encorajamento, o arcebispo tornou visível o rosto compassivo do Evangelho: uma Igreja que escuta antes de falar e que cura através da proximidade.

A Igreja que permanece próxima e não abandona

Este gesto revela algo de essencial para toda a Igreja universal. Num mundo atravessado por guerras, migrações e crises sociais, a missão cristã passa cada vez mais por relações concretas.

Consolar os aflitos significa construir esperança onde ela parece apagar-se. A visita pastoral a Lahore recorda que a misericórdia não nasce nos grandes acontecimentos, mas nas casas e nas famílias feridas, nos lugares onde alguém espera simplesmente não ser abandonado. É aí que o Evangelho continua a tornar-se vida.

Fonte: Agenzia Fides (31 de março de 2026)

Imagem de Basil Minhaj no Unsplash

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