Salmo XXVI DOMINGO DO TEMPO COMUM

24 de September, 2026

Carlo Miglietta
salmo
  1. O Salmo 24 que a liturgia do XXVI Domingo do tempo comum nos propõe é um Salmo de caráter didático e em estilo alfabético, isto é, cada estrofe começa com uma letra progressiva do alfabeto hebraico. Na primeira parte, aquela que rezamos neste domingo (vv. 1-7), o salmista dirige-se a Deus manifestando a sua confiança, e pede perdão pelos próprios pecados, apelando ao amor misericordioso de Deus. A parte central do Salmo (vv. 8-15) é uma meditação sobre a bondade de Deus para com os pecadores, para com os pobres e aqueles que temem o Senhor. O Salmo termina (vv. 16-22) com uma súplica na qual o orante renova as suas invocações para ser libertado das suas aflições.
  2. Santo Agostinho dizia que Cristo fala e reza neste Salmo “in persona Ecclesiae suae”, isto é, pede perdão pela Igreja e pela humanidade depois de ter tomado sobre si os pecados de todos. Cristo tornou-se um de nós a tal ponto que se dirige ao Pai com expressões que só dos nossos lábios de pobres filhos podiam brotar. Nos lábios de Cristo, a palavra humana torna-se Palavra de Deus. Também nós, unindo-nos à oração de Cristo, transformamos a nossa palavra humana em Palavra de Deus.
  3. A oração dos Salmos opera em nós os sentimentos que agradam a Deus: através deles, Deus molda em nós uma verdadeira espiritualidade. Por meio dos Salmos não só nós expressamos o nosso verdadeiro rosto, mas é Deus que se revela a nós como bondade e ternura infinita. Os Salmos são a manifestação da pedagogia divina: Deus chama-nos e inclina-se sobre nós, ensina-nos a rezar, e a falar com ele.

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