- O Salmo 22 é uma das maravilhas, dos tesouros mais preciosos de toda a Escritura: Palavras amadas, repetidas e rezadas por cada geração: Deus pastor, guia, hóspede que salva. Que ternura na definição de Deus como pastor: está aí todo o seu ágape, a sua providência, o seu pensar em cada um de nós, preocupando-se connosco, conhecendo os nossos ritmos, preparando para nós águas e pastos tranquilos, conduzindo-nos devagarinho também nas trevas e nos perigos, defendendo-nos, recuperando-nos se perdidos, dando a vida por nós!
- Que segurança, que serenidade, que paz, que alegria deve nascer para nós da contemplação deste mistério! Já não somos nós a ter de gerir, programar a nossa vida. Já não somos nós a ter de procurar o nosso caminho. Já não estamos sozinhos no perigo e nas dificuldades. Há Deus que pensa em nós, provê a nós, nos ajuda. Dissolve-se a nossa ansiedade, a nossa angústia.
- Jesus apresenta-se no Evangelho de João como o pastor “kalòs” (Jo 10,11), literalmente “belo”, isto é, “ideal”, “modelo”, “perfeito”. É o Pastor que dá a sua vida pelas suas ovelhas (em Jo 10,11-18 este tema é retomado bem cinco vezes). Ao seu rebanho, então, ele oferece “um alimento que não perece” (Jo 6,27), “verdadeira comida e verdadeira bebida” (Jo 6,55), a sua “carne para a vida do mundo” (Jo 6,51). Cristo salva-nos, guia-nos, consola-nos, protege-nos, sacia as nossas necessidades mais profundas, preenche as nossas expetativas, dissolve os nossos medos, vence os nossos limites criaturais. Cada Eucaristia nossa deve ser verdadeiramente adesão total a Jesus Pastor, para “não ter mais fome nem ter mais sede” eternamente (Jo 6,35).
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