À espera da tua vinda
A primeira comunidade cristã esperava como iminente o regresso do Senhor: Jesus, com efeito, tinha anunciado: “Alguns dos que aqui estão não sofrerão a morte até que vejam o Filho do homem vir no seu Reino” (Mt 16,28; cf. 23,36). Paulo escreve aos Tessalonicenses, por volta de 50 d. C.: “Nós, que estamos vivos, que ficarmos para a vinda do Senhor…, nós, os vivos, os sobreviventes, seremos arrebatados… entre as nuvens, para ir ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (primeira Leitura: 1 Ts 4,15.17; cf. 1 Cor 7,24.29-31; Tg 5,7-8). Mas o tempo passa… e o Senhor não vem! A primeira comunidade cristã entra numa crise dramática: os “santos de Deus”, os “eleitos” fazem a experiência do pecado, e até da própria morte, sem terem visto a chegada do Senhor. “Escarnecedores zombadores” começam a dizer: “Onde está a promessa da sua vinda?” (2 Pe 3,3-4). E tentam-se várias respostas: o Senhor tarda porque comungamos a Eucaristia sem reconhecer nos pobres o corpo de Cristo (1 Cor 11,29-30), porque primeiro se deve revelar a apostasia final (2 Ts 2,1-8), porque na sua misericórdia Deus espera a nossa conversão (2 Pe 3,9).
Começa-se, porém, a dizer que “quanto a esse dia e a essa hora, ninguém o sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas unicamente o Pai” (Mt 24,36). No momento da Ascensão, Jesus afirma: “Não vos compete saber os tempos e os momentos que o Pai reservou para a sua escolha” (At 1,6-7).
Na Igreja começa então a surgir um certo laxismo. Mateus, como pastor solícito e atento à ética, insiste na exigência de uma vigilância perseverante (as três parábolas de Mt 24,45-25,30). Na parábola do Evangelho de hoje (Mt 25,1-13) há numerosos elementos inverosímeis: as virgens acompanham o noivo e não a noiva, a noiva nunca é mencionada, o sono das jovens, a compra de azeite durante a noite, a dureza do noivo, o fecho da sala do banquete. Mas o tema é simbólico: as dez virgens (“parthènoi”) representam a Igreja, formada por prudentes e por insensatas, mas que na sua globalidade é a Esposa do Senhor (2 Cor 11,2; Ef 5,23-27), que é o Esposo (“ho nymphios”) por excelência (Mt 4,19; 5,48; 9,15; 22,11; 2 Cor 11,2; Ef 5,23-27…); o convite evangélico é a viver sempre numa espera fiel e prudente (Mt 24,45) da vinda do Esposo.
A mensagem é de imensa confiança: a um mundo que já não acredita no além, reafirma-se com força que a vida não acaba nesta terra, mas Deus continua-a para nós no seu Reino. Os cristãos proclamam, com efeito, que “Cristo… ressuscitou, e assim também àqueles que morreram Deus os reunirá… com ele”; por conseguinte, eles não devem “continuar a afligir-se como os outros que não têm esperança” (primeira Leitura: 1 Ts 4,13-14). Nesta revelação os crentes encontram a alegria mesmo no sofrimento, o otimismo na tribulação, a força do dom total, o sentido do seu compromisso entre os homens, o impulso para a luta por um mundo mais justo, a serenidade diante do martírio.
“A aclamação que o povo pronuncia após a consagração oportunamente conclui-se manifestando a projeção escatológica que assinala a Celebração eucarística (cf. 1 Cor 11,26): «à espera da tua vinda». A Eucaristia é tensão rumo à meta, antegozo da alegria plena prometida por Cristo (cf. Jo 15,11); em certo sentido, ela é antecipação do Paraíso, «penhor da glória futura» (Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, antífona ao Magnificat das II Vésperas). Tudo, na Eucaristia, exprime a espera confiante de que «se realize a bendita esperança e venha o nosso Salvador Jesus Cristo» (Missal Romano, Embolismo após o Pai-Nosso)” (João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia, 2003, n. 18).

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